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Governo já vê PIB de 2018 em 2,5%

O crescimento acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre levou a equipe econômica a rever as previsões para o desempenho da economia em 2017 e 2018. Conforme apurou o Valor, os cálculos iniciais fazem a projeção oficial para este ano passar de 0,5% para 0,7%. A melhora da previsão para 2017 está levando também a uma mudança na projeção de crescimento para 2018 - as contas ainda são prematuras neste caso, mas as primeiras estimativas da equipe econômica alteram o crescimento do ano que vem de 2% para 2,5%.

O movimento do governo é semelhante ao do mercado, que também está refazendo cálculos para 2017 e 2018 depois que o PIB do segundo trimestre surpreendeu positivamente. De acordo com o último boletim Focus (divulgado na segunda-feira), os analistas elevaram a projeção para o crescimento da economia neste ano de 0,39% para 0,5% após sete semanas de estimativas abaixo de 0,4%.

Algumas instituições financeiras mudaram de forma expressiva as projeções, parte delas incorporando uma visão até mais otimista que os cálculos da equipe econômica. Além do PIB do segundo trimestre, o esfriamento da crise política é citado pelos economistas para a mudança.

O Itaú elevou a estimativa para o PIB em 2017 de 0,3% para 0,8% (para 2018, o percentual continua em 2,7%). "A revisão incorpora uma atividade econômica em ritmo mais forte no segundo trimestre de 2017 e impacto menos intenso do que o esperado do aumento da incerteza política recente", afirmou em relatório Mario
Mesquita, economista-chefe do Itaú.

Na quarta-feira, o Bank of America Merril Lynch (BofA) dobrou a projeção para o PIB de 2018 de 1,5% para 3% (para 2017, manteve 0,6%). Agora, o número previsto é o mesmo de antes de maio - quando veio a público a delação da JBS. Para o BofA, a crise política teve impacto limitado e a atividade está em "tendência positiva". Já o economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho, diz que a projeção do banco para o PIB deste ano é 0,5%, mas tem "viés de alta". Para 2018, a instituição estima crescimento de 3%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, havia antecipado nesta semana que o governo está revisando as projeções para o PIB - mas não havia adiantado números. "Os números do PIB são muito fortes e positivos. Estamos, sim, analisando", afirmou. Questionado se o dado para este ano poderia ficar próximo de 1%, disse que isso era "possível". O ministro do Planejamento,Dyogo Oliveira, afirmou nesta semana na China que "não será surpresa" se o país registrar crescimento entre 2,5% e 3% em 2018: "Este é o momento para investir no Brasil. Teremos um longo ciclo de crescimento nos próximos dez anos".

Na equipe econômica, a avaliação é que o PIB está sendo impulsionado principalmente pelo consumo - beneficiado pela queda de juros, pelo crescimento da renda e por uma melhora do ambiente econômico. Após nove trimestres consecutivos sem crescimento, o consumo das famílias voltou a subir. Os dados do IBGE mostraram expansão de 0,2% do PIB no segundo trimestre contra o primeiro( na série com ajuste sazonal) enquanto a média dos analistas esperava estabilidade.