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Crescimento da economia impulsiona as captações de recursos no mercado

As empresas brasileiras buscaram R$ 198,9 bilhões em recursos no ano passado, um volume 59% maior que o registrado em 2016, só superado por 2010, quando teve a capitalização da Petrobras

Diante da expectativa de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 2,7% neste ano, as empresas brasileiras terão maior necessidade de captação de recursos no mercado de capitais para projetos ou alongamento de dívidas a custos menores.

As premissas principais já estão dadas para esse cenário mais positivo: inflação controlada e juros básicos em queda (Selic em 7% ao ano); e aumento da necessidade dos investidores domésticos e estrangeiros por diversificação num momento de abundante liquidez nos mercados.

Além desses fatores, as principais empresas locais já estão conscientes de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá menos recursos para financiamentos, face a devolução prevista de R$ 130 bilhões ao Tesouro para que governo cumpra a “regra de ouro” das contas públicas.

“Se ninguém [do governo] atrapalhar, ou seja, não gastar, o que não se deve, e se não tivermos nenhum susto geopolítico do lado externo, o mercado de capitais vai caminhar sozinho para um ano de expansão, maior do que o registrado em 2017”, prevê o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão.

De acordo com o boletim divulgado ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as empresas brasileiras captaram R$ 198,9 bilhões no ano passado, volume 59% acima do registrado em 2016, e maior desde 2010 (R$ 243,9 bilhões), quando houve a capitalização da Petrobras.

“Apesar de toda a instabilidade institucional vista no ano passado, as empresas tiveram que se posicionar, trocando empréstimos mais caros por recursos mais baratos no mercado de capitais. Com o Brasil crescendo, e com a perspectiva de juros baixos por um período mais prolongado, vai continuar esse movimento de captação”, diz Paixão.

“As quedas da inflação e dos juros estimularam as companhias retomarem o acesso ao mercado de capitais, contribuindo para a recuperação do ambiente de negócios no País”, afirmou o diretor da Anbima, José Eduardo Laloni.

“Grande parte dos recursos captados foi destinado à melhora da estrutura de endividamento das empresas e à retomada dos investimentos”, completou o diretor da Anbima, em nota ao mercado.

Na visão do analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, os indicadores econômicos do País estão melhorando e há demanda dos investidores por papéis privados (ações e títulos de dívida). “Temos uma expectativa muito positiva para o mercado de capitais. 2018 será um ano bom, com uma série de emissões no mercado”, aponta Indech.

Ele também ressaltou que a economia deverá crescer entre 2,5% e 3%. “A Selic deve cair para 6,75% ao ano na próxima reunião do Copom, e a inflação está bastante estável, em torno de 4% neste ano”, disse.

Em outras palavras, nesse ambiente como projetado pelo mercado na pesquisa Focus do Banco Central, os especialistas acreditam que não acontecerá uma expansão inflacionária. “O Brasil é atraente e os investidores estrangeiros já entendem nossos aspectos culturais. Mesmo com o desafio fiscal do governo, as empresas se mostram como boas pagadoras, prezam por sua história e imagem”, identifica Silvio Paixão.

De fato, de acordo com o boletim da Anbima, divulgado ontem, as empresas brasileiras captaram R$ 104,1 bilhões (US$ 32,489 bilhões) no ano passado no mercado internacional, com crescimento de 51% em relação a 2016.

Entre as operações, chama a atenção aquelas realizadas com títulos de renda fixa (bônus), que somaram R$ 100 bilhões (US$ 31,175 bilhões), ou 54% acima do obtido em 2016.

Destaques de 2017
Além do bom desempenho junto aos investidores estrangeiros na colocação de bônus no mercado internacional, o mercado doméstico apresentou destaques importantes como a reativação das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) no ano passado, e o crescimento do volume em debêntures de infraestrutura.

Ao todo, as ofertas de ações (IPOs e follow-ons) arrecadaram R$ 40,1 bilhões em 2017, sendo R$ 21,408 bilhões em IPOs e R$ 18,689 bilhões em operações de aumento de capital (follow-ons) por companhias que já eram listadas.

As debêntures incentivadas, com isenção do imposto de renda para pessoas físicas, também captaram R$ 8,893 bilhões em 2017, o dobro do arrecado em 2016. Deste montante, 73,8% dos recursos foram destinados para projetos de infraestrutura e 26,2% para refinanciamento.

O volume total em debêntures alcançou R$ 88,165 bilhões no ano passado, valor 45,5% superior ao obtido no exercício anterior. Nas ofertas públicas (ICVM 400), as pessoas físicas tiveram participação de 33,3%. E nas ofertas restritas (ICM 476), fatia de 1,5%.