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Para analistas, IPCA em 2017 atinge 2,81% e fica abaixo do piso da meta

No ano passado, a inflação ficou pela primeira vez abaixo do piso da meta desde a implantação do sistema, em 1999, segundo estimativa média de 25 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data. Os analistas projetam alta de 0,31% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em dezembro, e de 2,81% no acumulado em 12 meses. O índice será divulgado hoje pelo IBGE.

Se as estimativas forem confirmadas, a inflação oficial anual ficaria abaixo dos 3% estabelecidos como piso da meta pelo Comitê de Monetário Nacional (CMN). Isso obrigaria o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, a escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando os motivos de o sistema de metas ter sido descumprido.

O nível de dispersão das projeções coletadas também é baixo, com as estimativas variando de 0,25% a 0,36%. Em novembro, o indicador ficou em 0,32%.

 A última vez que o IPCA foi menor do que os 2,81% previstos para 2017 foi em 1998, quando atingiu 1,65%. Agora, a inflação menor do que o piso "não deve ser encarada como sinal de fracasso da política econômica", diz a equipe do Santander em relatório. O banco calcula que o indicador ficou em 0,28% em dezembro e em 2,8% no ano passado, números que reforçam um "quadro de recuperação sem pressão inflacionária".

A equipe econômica do Haitong lembra em relatório que parte do resultado positivo foi causado pela oferta surpreendente de alimentos, o que levou à queda do preço desses produtos ao longo de 2017. Mesmo assim, a média dos núcleos da inflação - que excluem itens com preços mais voláteis - deve ficar em 0,28% em dezembro e 3,5% no acumulado de 12 meses.

"Mesmo medidas da inflação subjacente provavelmente apontarão para alguma folga na comparação com a meta de 4,5%, fortalecendo assim o quadro favorável para as expectativas inflacionárias", diz o Haitong em relatório. A equipe econômica do banco defende que há espaço para mais um corte da Selic, de 7% para 6,75%.

Mauricio Nakahodo, do Mitsubishi UFJ Financial (MUFG), calcula que o IPCA fechou 2017 em 2,86%. Assim como o Santander, diz que o ritmo de corte de juros promovido pelo Banco Central foi correto. Para Nakahodo, a "forte deflação de alimentos", que independe das políticas adotadas pela autoridade monetária, "foi a principal responsável por essa inflação abaixo do piso".

"Levando em conta os núcleos, a política monetária foi bem alinhada" com o quadro inflacionário, diz. O economista destaca que o IPCA baixo do ano passado deixa um legado positivo para este ano, com expectativas inflacionárias sob controle e baixa inércia.