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Siderurgia tem maior valor de mercado em cinco anos

Espremido pela recessão econômica, com problemas estruturais de capacidade no mundo todo e saúde financeira instável, o setor siderúrgico brasileiro chegou ao fundo do poço em 2015. Em 2018, parece caminhar para o terceiro ano consecutivo de melhora - alcançando a avaliação mais positiva dos investidores desde 2013.

Ao final de 2015, último ano em que a valorização das ações do segmento não tiveram muita relevância, o valor de mercado de Usiminas (maior fabricante de aços planos do país), Gerdau (líder em aços longos) e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) - segunda maior produtora de planos - era de R$ 15,7 bilhões. Ontem, atingiu R$ 54,1 bilhões. A última vez que o indicador alcançou tal patamar foi em 2013, quando atingiu R$ 64,1 bilhões.

Essa forte alta, que ganhou mais força 2017, foi confirmada no início deste ano. As três siderúrgicas lideram os ganhos do Ibovespa durante janeiro. Só ontem, CSN avançou 5,85%, para R$ 10,85, Gerdau PN subiu 8,16%, para R$ 14,97, e Usiminas PNA tinha alta de 5,37%, para R$ 10,80 - desempenhos positivos de 29,48%, 20,92% e 18,68% no ano, respectivamente.

Com esse desempenho, a mais valiosa das três empresas na bolsa é a Gerdau, com R$ 24,19 bilhões. A CSN aparece em segundo lugar, com R$ 15 bilhões, e logo atrás está Usiminas, com R$ 14,9 bilhões, que enfrentou uma grande crise financeira no começo de 2016.

Em 2013, o setor viveu seu melhor momento histórico no país, ao menos em termos de demanda. O consumo aparente de aço chegou a 28 milhões de toneladas. Desde então, a economia encolheu, e, consequentemente, o consumo de aço no mercado brasileiro. Em 2016, atingiu seu pior momento recente, com consumo de 18 milhões de toneladas.

No ano passado, contudo, a recuperação começou - puxada pela maior procura de aços planos, especialmente pelo setor automotivo. O Instituto Aço Brasil acredita que a demanda tenha subido 5% em 2017, sendo que nos 12 meses, até novembro - o último dado oficial anunciado -, a alta foi de 4%, para 19 milhões de toneladas.

Inicialmente, se esperava que tanto o Produto Interno Bruto (PIB) quanto a própria demanda por aço subissem mais fortemente no ano passado, mas o cerne da recuperação ficou para 2018. Mesmo assim, 2017 foi positivo para as siderúrgicas, que conseguiram, especialmente no segundo semestre, repassar a inflação de matérias-primas ao preço do produto final, sustentados por uma valorização observada no mercado mundial.

Até agora, os preços do aço não se afastaram muito das máximas do ano passado, girando em torno de US$ 580 por tonelada. Em relatório divulgado ontem, o BTG Pactual prevê espaço para reajuste de ao menos 10% no mercado interno durante 2018. Em geral, os agentes do mercado - empresas e analistas - enxergam um ano forte para a siderurgia.

Os dois principais fatores para a expectativa positiva são preços e volumes. As produtoras de aços planos já emplacaram um reajuste de até 23% para as montadoras, de aproximadamente 20% para clientes industriais e de 12% na distribuição - neste último caso, ainda falta um anúncio oficial da Usiminas, esperado nos próximos dias. A Gerdau, de aços longos, também melhorou seu poder de precificação. Ao mesmo tempo, se projeta um aumento de no mínimo 10% no consumo aparente.